<%@LANGUAGE="VBSCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Erasmo Carlos - Site Oficial - Discografia

 
 
 
 

Santa Música (2004)

Direção Artística: Liber Gadelha
Produzido por Marcelo Sussekind e Erasmo Carlos
Coordenação Executiva : Léo Esteves

Erasmo Carlos, como diria o poeta de Itabira, é um claro enigma. Pioneiro do pop no país, desafia a natureza efêmera do gênero e mantém-se sob os infiéis refletores do show-biz há quase quarenta anos. Embora regravado por intérpretes convencionais da MPB, nada fez que traísse as muitas pulseiras de couro no pulso e o coração de Chuck Berry batendo no peito. Alçado à condição de pai do rock nacional pelos artífices da Geração 80, deixou-se homenagear, mas nunca pousou de conselheiro da “prole”.

Que mistério tem Erasmo? Para começar, uma dualidade. Como parceiro de Roberto Carlos, ele adere ao azul e branco e ajuda o Amigo a vasculhar os meandros da alma brasileira. Em seus próprios discos, enverga o ainda lustroso uniforme de roqueiro e trabalha seus temas- principalmente a mulher, o favorito- de forma sempre surpreendente e plena de vigor. Assim como Keith Richards, as décadas que passam e as rugas que se instalam só fazem confirmar a sanha do roqueiro- embora nenhum deles precise mais lançar mão da estética do choque. “É a rebeldia possível aos 62 anos, né bicho?”, ele logo descomplica. Eis aí o segredo que move Erasmo Carlos: renovar-se sem precisar lançar mão do ritmo da moda ou do produtor do momento, apenas confiando no entusiasmo, na experiência e no próprio taco.

O novo CD de Erasmo Carlos, Santa Música , confirma essas premissas. São 12 faixas amparadas em ritmos seminais do pop- entre eles o rock ( Coração do Mundo ), a balada elétrica ( Calma Baby ), o funk ( Lua no Cio ), o reggae ( Dois em Um )- e outros que o gênero costuma visitar por pura farra, como o fox ( Cultura Poética ) e o bolero ( Sinto Muito , com um arranjo impressionante). Em todas as faixas, a afinada carpintaria musical de Erasmo se faz presente, inclusive- surpresa!- no uso de harmonias típicas da bossa-nova. “Os músicos que participaram da gravação até chiaram: ‘Pô, isso é bossa, não é rock'”, diverte-se o compositor. “E daí? Qual o problema?, respondi. Sou o único roqueiro cujo instrumento predileto é o violão com cordas de nylon...”

Atenção ao aviso de Erasmo Carlos: “Esse disco me deixou feliz como nenhum outro desde os anos 80” . Mais atenção ainda aos motivos. “Hoje, na maioria das gravadoras, ninguém pergunta ao artista se ele tem um projeto de disco. Eles chegam e decretam: ‘Tenho um projeto artístico maravilhoso para você'”. Nos tempos que correm, por “projeto maravilhoso” entenda-se regravações de antigos sucessos, um disco ao vivo, um CD acústico, um DVD saudosista, combinações variadas dessas opções anteriores ou qualquer coisa que passe na cabeça do produtor- menos o que o próprio artista vislumbra como o passo seguinte para a sua carreira.

Santa Música está fora dessa cartilha. Erasmo levou ao estúdio apenas canções inéditas com os arranjos que quis. Selecionou os instrumentistas para cada faixa (um belo time que inclui Liminha no baixo, Léo Gandelman no sax, Rick Ferreira e Marcelo Sussekind nas guitarras). Concebeu a capa (junto com seu filho Léo Esteves). É o artista levando ao público o que ele deseja dizer nesse momento- sua fornada de 2003- da maneira que ele mesmo escolheu. E o que ele escolheu para dizer? “Não sou poeta, sou um contista e, nessas músicas novas, procurei falar de detalhes do amor”, ele define. Por amor, leia-se mulheres. Muitas. Estão presentes em dez das 12 faixas do CD. E não lhe falta originalidade ao se dirigir a elas. Em Lero Lero , diz o conquistador à presa relutante:

Vem tocar comigo os sinos da paixão se não for mal de T.P.M. só pode ser malcriação ”.

Apesar dessa onipresença feminina, Santa Música está longe de ser um disco romântico no sentido tradicional, até porque os ritmos não o são. O discurso de amor de Erasmo é feito da observação de detalhes da alma feminina, da admiração e da reverência às mulheres, do exercício da sensibilidade diante dos relacionamentos.

Outros temas de que Erasmo se ocupa no disco são a guerra no Iraque, em No Olho do Furacão (com direito a narração radiofônica e tudo) e a saudade dos amigos que se foram, em Tim , deliciosa homenagem ao compositor Tim Maia que reproduz seu funk personalíssimo e suas palavras de ordem mais insondáveis que as de Bob Dylan (“O tudo é tudo e o nada é nada, minha gente!”). Além disso, na faixa-título, que a capa do CD procura traduzir em imagens, Erasmo faz uma emocionada homenagem à música. “Ousei imaginar o que seria um hino à música, com todos os cantores e orquestras do mundo o interpretando ao mesmo tempo”, ele delira. “Quando componho, viajo mesmo para longe”. Eis aí, decifrado, o enigma Erasmo Carlos: o roqueiro sessentão que não perde o entusiasmo por longas viagens e novas descobertas dentro de sua inspiração.

Okky de Souza

 
músicas
1 - 
Lero Lero
  letra
2 -

Lua no Cio

letra
3 -
Santa Música
letra
4 -
Calma Baby
letra
5 -

Tim

Ouça letra
6 -
Gosto do Tudo das Mulheres
Ouça letra
7 -
Fantasias
Ouça letra
8 -
Sinto Muito
Ouça letra
9 -
Coração do Mundo
Ouça letra
10 -
Dois em Um
Ouça letra
11 -
Cultura Poética
Ouça letra
12 -
No Olho do Furacão
Ouça letra

Equipe Técnica:

Produtor Musical : Marcelo Sussekind
Engenheiro de Gravação : Ronaldo Lima
Assistente de Produção Musical : Klebs Cavalcanti
Assessoria Erasmo : Alcides Dutra
Transporte Erasmo : PC
Roadie : Alex Merlino
Transporte : Marquinho
Ass. De Estúdio Mega/RJ : Guthenberg (Guth), Marco Hoffer e Marcito Vianna
Ensaios : Estúdio Floresta ( RJ )
Gravado e Mixado no Estúdio Mega ( RJ ) entre Outubro e Novembro de 2003 .
Mixado por Marcelo Sussekind e Ronaldo Lima
Masterizado por Ricardo Garcia no Magic Master ( RJ )
Concepção de Capa : Léo Esteves e Erasmo Carlos
Direção de Arte : Stela Nascimento
Projeto Gráfico : Eduardo Fa. Santos
Fotos : Dario Zalis

AGRADECIMENTOS :

Agradeço a minha família pela felicidade que me move , aos dicionários e livros que me ajudam prá caramba , aos amigos romílson luiz , marcos kilzer , josé carlos marinho , heloísa ramalho , aos técnicos e engenheiros , ao incrível timaço de músicos que deram uma goleada neste disco e a deus , que se tivesse um outro nome , certamente seria música !!!

DEPOIMENTO- ROBERTO FREJAT

Ao ouvir “Santa Música”, o novo disco de Erasmo Carlos, alguns pensamentos me vieram de imediato: primeiro, descobrir que depois de tantos anos de ofício na música, experiência que provavelmente lhe fez vivenciar todo tipo de situação profissional, algumas extremamente gratificantes, outras nem tanto, Erasmo ainda consiga sentir prazer e se entusiasmar com o sagrado que nela existe, com o poder que ela tem quando “...não nos deixa sós na solidão, arrepia os pelos invisíveis de uma alma” ou “...sugere a esperança em nossa paz de mais um dia que nos impede de enlouquecer...” (Santa Música).

Em segundo lugar, ter a felicidade de saber que mesmo nesse momento “cego no meio do tiroteio” que toda a indústria da música passa no mundo inteiro alguma gravadora resolve acreditar num disco de repertório inédito de um cantor/compositor como Erasmo Carlos.

Em terceiro lugar e o mais importante, apreciar como a identidade de Erasmo Carlos está clara, transparente e bem realizada nesse disco.

Nele vemos nosso “Tremendão” destilar toda a sua capacidade de traduzir o universo romântico com uma sabedoria que poucos homens têm como em “Lero lero”, “Lua no cio”, “Calma Baby”, “Gosto do tudo das mulheres”, “Sinto muito”, “Dois em um” e “Cultura poética” de onde saem pérolas como “Sorriu excitada/ o horóscopo diz/ que a lua no cio/ faz seu dia feliz” , “Mulher que me ama/ mulher que me amou/ gosto do tudo de vocês/ que em mim ficou” , “Às vezes acho que no mundo/ só existe uma mulher/ que por conveniência/ usa o rosto que quiser” ou “passando a limpo a soma/ das delícias em comum/ pra quem sabe um dia sermos/ novamente dois em um”. O fox “Cultura poética” é tão inspirado que minha vontade é transcrevê-lo todo para esse release, mas falta espaço.

Além das canções de amor temos músicas mais reflexivas como a faixa-título “Santa Música”, “Fantasias”, a bem humorada “Coração do mundo” e a angustiada “No olho do furacão”.

Há uma bela homenagem a Tim Maia na faixa “Tim” onde, sobre uma base funk que lembra os bons momentos do velho amigo, Erasmo conversa com “o síndico” como se estivesse deixando um recado na sua secretária eletrônica.

Esse disco é o primeiro com material inédito de Erasmo em dois anos. Ele foi todo composto apenas por ele, letras e músicas, sem parceiros, situação peculiar mas que reforça sua identidade, e foi ensaiado com os músicos antes da entrada em estúdio deixando para esse estágio apenas alguns ajustes finais.

A produção de Marcelo Sussekind é primorosa, dando tratamento luxuoso à voz de Erasmo e eu não poderia destacar a performance de nenhum músico pois todos estão impecáveis numa lista que inclui o próprio Marcelo Sussekind, Fernando Vidal, Celso Fonseca, Rick Ferreira, José Lourenço, Paulo César Barros, Liminha, Arthur Maia, Renato Massa, Fábio Fonseca, Sacha Amback, Perna Fróes, Ramiro Mussoto, Léo Gandelman entre outros.

Enfim, um disco belíssimo! Obrigado Erasmo!!!

Roberto Frejat

 


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